Fila do INSS cresce no RN e se aproxima de 55 mil pedidos em análise
O Rio Grande do Norte encerrou o primeiro trimestre de 2026 com quase 55 mil pedidos de benefícios aguardando análise no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Dados do boletim Transparência Previdenciária apontam que o estado registrou 54.998 requerimentos pendentes em março, número que representa um aumento de 9,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Entre os benefícios com maior volume de solicitações em espera estão os auxílios por incapacidade, que somam 22.407 processos pendentes. Em seguida aparecem os benefícios assistenciais e aqueles vinculados a legislações específicas, com 21.457 requerimentos aguardando conclusão. As aposentadorias respondem por 5.103 pedidos, enquanto pensões e auxílios-reclusão totalizam 2.460 solicitações. Já os pedidos de salário-maternidade em análise chegam a 3.571.
Apesar do crescimento da fila, o Rio Grande do Norte aparece entre os estados nordestinos com menor número de processos pendentes, ficando atrás apenas de Sergipe. Na região, os maiores estoques de requerimentos são observados na Bahia, Ceará e Pernambuco.
Outro dado que chama atenção é o tempo de espera. Mais da metade dos pedidos em tramitação no estado permanece sem resposta por período superior a 45 dias. Segundo o levantamento, cerca de 57% das solicitações ultrapassam esse prazo. Além disso, quase um quarto dos processos excede os limites considerados legais para análise administrativa.
Os benefícios por incapacidade concentram a maior parte dos casos que ultrapassam os prazos estabelecidos. Também há registros de demora significativa em pedidos de salário-maternidade, benefício cuja análise possui prazo reduzido em comparação com outras modalidades previdenciárias.
O aumento da fila ocorre mesmo com iniciativas adotadas pelo Governo Federal para acelerar a análise dos requerimentos. Entre as medidas estão mutirões de atendimento, ampliação da automação dos processos e programas de incentivo à produtividade dos servidores. O objetivo é reduzir o tempo médio de resposta e desafogar o estoque de processos em tramitação.
Especialistas da área previdenciária apontam que a demora pode gerar impactos significativos na vida dos segurados, especialmente daqueles que dependem diretamente dos benefícios para garantir renda e subsistência. Em determinadas situações, quando os prazos considerados razoáveis são ultrapassados, os beneficiários podem recorrer à Justiça para exigir a análise do pedido.
Representantes dos trabalhadores do setor atribuem parte do problema à redução do quadro de servidores ao longo da última década. Segundo entidades sindicais, aposentadorias e a ausência de concursos públicos em escala suficiente provocaram uma diminuição expressiva da força de trabalho responsável pela análise dos processos. Problemas estruturais e limitações tecnológicas também são apontados como fatores que contribuem para a lentidão no atendimento.
A situação do Rio Grande do Norte acompanha um cenário nacional de aumento na demanda por benefícios previdenciários e assistenciais, enquanto o INSS busca alternativas para reduzir os tempos de espera e equilibrar a capacidade de atendimento em todo o país.
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