Combustíveis em Mossoró: gasolina cai, mas preços ainda pesam no bolso e na economia local
Gasolina comum recuou 1,48% na última semana, para R$ 6,65 por litro. Diesel, etanol e gás de cozinha também ficaram mais baratos, segundo levantamento da ANP.
O preço dos combustíveis apresentou uma melhora para o consumidor de Mossoró na última semana, mas a redução ainda está longe de representar uma mudança estrutural no custo de abastecer veículos ou movimentar a economia local.
Segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a gasolina comum foi comercializada, em média, a R$ 6,65 por litro entre 30 de agosto e 5 de setembro. Na semana anterior, a média era de R$ 6,75. A queda foi de 1,48%.
O levantamento considerou 13 postos revendedores no município. Como se trata de uma média, o valor não significa que todos os estabelecimentos estejam vendendo gasolina pelo mesmo preço.
Queda não ficou restrita à gasolina
A redução não ficou restrita à gasolina. O etanol hidratado passou de R$ 5,17 para R$ 5,06 por litro, queda de 2,13%. A gasolina aditivada recuou de R$ 6,90 para R$ 6,82.
Entre os combustíveis utilizados principalmente pelo transporte e pela atividade econômica, o óleo diesel comum caiu de R$ 6,85 para R$ 6,75, enquanto o diesel S10 passou de R$ 6,98 para R$ 6,91 por litro.
O gás de cozinha também registrou redução. O botijão de 13 quilos passou de R$ 118 para R$ 116,57, em média.
A queda é positiva, mas ainda não muda o cenário
O recuo dos preços é uma notícia positiva, principalmente porque combustível tem peso direto no orçamento das famílias e nos custos das empresas.
Para um motorista que abastece 50 litros, por exemplo, a diferença entre R$ 6,75 e R$ 6,65 representa uma economia de R$ 5 em um único tanque. Não é uma redução capaz de alterar significativamente o orçamento mensal de uma família, mas pode se tornar relevante quando somada a vários abastecimentos ao longo do mês.
O impacto é ainda maior para quem utiliza o veículo profissionalmente.
Motoristas de aplicativo, taxistas, representantes comerciais, entregadores e empresas que dependem de veículos para realizar serviços sentem diretamente qualquer variação no preço da gasolina ou do diesel.
No transporte de cargas, o diesel tem importância ainda maior. É um dos componentes que entram na formação do custo do frete e, consequentemente, podem chegar ao preço final de alimentos e outros produtos.
Diesel merece atenção especial
Apesar de a gasolina chamar mais atenção do consumidor, o comportamento do diesel talvez seja o dado economicamente mais relevante.
Em Mossoró, o diesel S10 ficou em R$ 6,91 por litro na semana pesquisada, após uma redução de aproximadamente 1%.
A questão é que o mercado internacional de petróleo atravessa um período de pressão. Enquanto a gasolina brasileira registrava queda média, o petróleo Brent apresentava valorização e chegava a US$ 92,68 por barril.
Mesmo diante dessa pressão internacional, a média nacional da gasolina recuou 0,3%, para R$ 6,53, enquanto o diesel S10 permaneceu em R$ 6,88.
Mossoró tem um fator adicional: petróleo faz parte da economia local
Há uma particularidade que torna o comportamento dos combustíveis especialmente relevante para Mossoró.
A cidade está inserida em uma das principais regiões produtoras de petróleo em terra do país e possui uma economia historicamente relacionada à cadeia de petróleo e gás.
Existe, portanto, uma relação econômica interessante: Mossoró convive simultaneamente com a produção de petróleo e com o impacto dos preços dos seus derivados sobre consumidores e empresas.
Mas produzir petróleo não significa necessariamente ter combustível mais barato no posto.
O preço pago pelo consumidor é resultado de uma cadeia muito maior, que envolve produção, refino, transporte, distribuição, tributos e revenda. A localização de um município produtor, por si só, não determina o preço final na bomba.
Gasolina ou etanol: qual está valendo mais a pena?
A queda do etanol foi proporcionalmente maior que a da gasolina na última semana. Mesmo assim, a diferença de preços ainda favorece a gasolina para a maioria dos veículos flex.
Com a gasolina a R$ 6,65 e o etanol a R$ 5,06, o etanol corresponde a aproximadamente 76% do preço da gasolina.
A chamada regra dos 70% é apenas uma referência — o resultado real depende do consumo específico de cada veículo —, mas indica que, na média, a gasolina continua sendo mais vantajosa.
Para que o etanol atingisse 70% do preço da gasolina, seu valor teria que ficar próximo de R$ 4,66 por litro.
Isso não significa que a gasolina seja sempre a melhor escolha para qualquer carro. Veículos com motores mais eficientes no etanol podem apresentar um ponto de equilíbrio diferente. O cálculo ideal é comparar o custo por quilômetro, e não apenas o preço por litro.
O consumidor ainda precisa pesquisar
Outro ponto importante dos dados da ANP é que a média municipal esconde diferenças entre os postos.
O levantamento da agência é uma fotografia estatística do mercado. Ele permite observar tendências, mas não determina quanto o consumidor encontrará em determinado estabelecimento.
Por isso, mesmo com a queda da média, continua sendo importante comparar preços antes de abastecer.
Uma diferença de alguns centavos por litro pode parecer pequena, mas ganha importância para quem abastece frequentemente ou percorre muitos quilômetros.
O que pode acontecer nas próximas semanas?
O principal fator de risco para os preços dos combustíveis neste momento está fora de Mossoró e até mesmo fora do Brasil: o mercado internacional de petróleo.
A cotação do Brent voltou a se aproximar dos US$ 100 por barril em setembro, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio.
Isso cria uma situação contraditória.
De um lado, os dados mais recentes da ANP mostram queda nos preços praticados em Mossoró. De outro, o cenário internacional começa a produzir pressão de alta.
A próxima divulgação semanal da ANP será, portanto, importante para saber se a queda observada entre 30 de agosto e 5 de setembro representa o início de uma tendência ou apenas uma oscilação pontual.
Também será necessário observar o comportamento do diesel, especialmente porque qualquer aumento significativo pode aparecer posteriormente nos custos de transporte e, por consequência, nos preços de produtos e serviços.
Um alívio pequeno, mas relevante
A queda dos combustíveis em Mossoró é positiva, mas não deve ser superdimensionada.
A gasolina a R$ 6,65 ainda representa um custo elevado para quem depende diariamente do automóvel. Para empresas, trabalhadores que utilizam veículos e transportadores, pequenas oscilações acumuladas podem representar valores expressivos ao longo do mês.
O dado mais importante, neste momento, talvez não seja apenas que a gasolina caiu.
É saber se ela continuará caindo enquanto o petróleo internacional sobe.
Essa combinação será o principal indicador a acompanhar nas próximas semanas.
Por enquanto, Mossoró tem uma fotografia favorável: gasolina, etanol, diesel e gás de cozinha ficaram mais baratos na última pesquisa da ANP. Mas o cenário internacional recomenda cautela antes de transformar essa queda em uma tendência.
Fontes
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e UOL Economia. Os preços citados correspondem às médias de revenda levantadas pela ANP entre 30 de agosto e 5 de setembro de 2026.
ANP — Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
