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Previdência do RN acumula déficit de R$ 1,02 bilhão e pode fechar 2026 com rombo de R$ 2,4 bilhões

06/08/2026 01:00 Redação 3 min de leitura

O sistema previdenciário dos servidores públicos do Rio Grande do Norte encerrou o primeiro semestre de 2026 com um déficit de R$ 1,022 bilhão. Os números constam no Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) referente ao terceiro bimestre do ano.

De janeiro a junho, o Fundo em Capitalização do Regime Próprio de Previdência dos Servidores arrecadou aproximadamente R$ 1,994 bilhão, enquanto as despesas liquidadas com aposentadorias e pensões alcançaram R$ 3,016 bilhões.

Para garantir o pagamento dos benefícios, o Tesouro Estadual precisou destinar R$ 969,7 milhões à cobertura da insuficiência financeira da Previdência durante os seis primeiros meses do ano.

A projeção é de que o déficit previdenciário chegue a R$ 2,437 bilhões até dezembro de 2026. Mantido o cenário previsto no orçamento, o Governo do Estado ainda deverá realizar novos aportes de aproximadamente R$ 1,467 bilhão até o encerramento do exercício.

Aposentadorias concentram maior parte das despesas

Os pagamentos de aposentadorias representam a maior parcela dos gastos previdenciários do Estado. No primeiro semestre de 2026, essas despesas somaram R$ 2,701 bilhões, superando os R$ 2,478 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Já as pensões por morte consumiram cerca de R$ 270 milhões entre janeiro e junho. O valor ficou abaixo dos R$ 290,4 milhões desembolsados no primeiro semestre do ano passado.

Do lado das receitas, as contribuições patronais responderam por R$ 1,335 bilhão, enquanto os recolhimentos realizados pelos servidores segurados totalizaram aproximadamente R$ 626,5 milhões.

Déficit compromete capacidade de investimento

O desequilíbrio ocorre porque as contribuições previdenciárias e os rendimentos financeiros não são suficientes para custear o volume de aposentadorias e pensões. Com isso, o Tesouro Estadual precisa utilizar recursos do orçamento para completar os pagamentos.

Na prática, os valores direcionados à Previdência reduzem a disponibilidade financeira para investimentos públicos em setores como saúde, educação, infraestrutura e saneamento.

O Fundo em Capitalização apresenta resultado negativo no primeiro semestre desde 2019. Nos últimos dez anos, o único desempenho positivo ocorreu em 2018, quando foi registrado um superávit de R$ 5,359 bilhões.

Governo afirma que aportes estão previstos no orçamento

A Secretaria de Estado da Fazenda informou que a previsão de déficit de R$ 2,437 bilhões permanece dentro da programação orçamentária estabelecida para 2026.

A Secretaria de Estado do Planejamento, do Orçamento e Gestão também declarou que os recursos necessários para cobrir a insuficiência financeira do regime previdenciário já estão contemplados na Lei Orçamentária Anual.

Apesar do déficit da Previdência, o Rio Grande do Norte encerrou o primeiro semestre com um superávit orçamentário de R$ 1,344 bilhão. No período, o Estado arrecadou R$ 13,46 bilhões e liquidou R$ 12,11 bilhões em despesas. O resultado positivo no caixa, entretanto, não elimina as dificuldades fiscais provocadas pelo crescimento das despesas previdenciárias.

Com informações da Tribuna do Norte e dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária do Estado.

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