Carro de R$ 100 mil e nada mais: declaração de bens de Cadu abre flanco para desgaste na campanha
Ex-secretário da Fazenda do RN declara possuir apenas um veículo. Adversários questionam compatibilidade entre patrimônio declarado e renda; candidato afirma que deixou os bens do primeiro casamento para a ex-esposa e os filhos.
A declaração de bens apresentada pelo candidato ao Governo do Rio Grande do Norte pelo PT, Cadu Xavier, transformou-se em um dos primeiros focos de desgaste de sua campanha eleitoral.
Segundo a documentação entregue à Justiça Eleitoral, Cadu declarou possuir apenas um veículo avaliado em R$ 100 mil. O patrimônio chamou atenção porque o candidato ocupou, nos últimos anos, cargos de alto escalão no Governo do Estado, incluindo a Secretaria da Fazenda, além de receber remuneração compatível com o teto constitucional do funcionalismo estadual.
A diferença entre a renda pública conhecida e o patrimônio declarado rapidamente passou a ser explorada por adversários e por blogs políticos, que passaram a questionar a compatibilidade entre os rendimentos recebidos ao longo da carreira e os bens informados à Justiça Eleitoral.
Secretário da Fazenda sob questionamento
As críticas ganharam um componente político adicional pelo fato de Cadu ter comandado justamente a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Norte, pasta responsável pela arrecadação de tributos, fiscalização das receitas estaduais e gestão das finanças públicas.
Para adversários, a declaração de patrimônio abre espaço para dois tipos de questionamento. O primeiro é a hipótese de eventual patrimônio não declarado — hipótese para a qual, até o momento, não há qualquer prova pública. O segundo é de natureza política: caso a declaração reflita integralmente sua situação patrimonial, opositores sustentam que isso poderia indicar dificuldade em formar patrimônio mesmo após anos ocupando cargos de elevada remuneração.
Esse segundo argumento tem sido explorado por críticos com a narrativa de que alguém responsável pela administração das finanças estaduais deveria demonstrar maior capacidade de gestão também na vida financeira pessoal. Trata-se, contudo, de uma avaliação política, e não de uma conclusão baseada em qualquer irregularidade comprovada.
A defesa de Cadu Xavier
Diante da repercussão, Cadu Xavier divulgou um vídeo classificando as publicações sobre seu patrimônio como distorcidas e lamentando que o debate eleitoral tenha alcançado sua família.
“Tenho dois filhos. Fiz uma opção, ao me separar da minha ex-mulher, de deixar o patrimônio que construímos juntos em nome dela e deles. Tenho muito orgulho disso e faria novamente.”
Segundo o candidato, a maior parte dos bens adquiridos durante o primeiro casamento permaneceu com sua ex-esposa e os filhos após a separação, razão pela qual não aparecem em sua declaração de bens.
Cadu também rebateu as informações sobre sua remuneração.
“A informação sobre minha renda é totalmente mentirosa. Sou servidor público com muito orgulho e, como todo servidor estadual, me submeto ao teto constitucional.”
O candidato afirmou ainda que considera lamentável a utilização de ataques pessoais durante a campanha eleitoral, especialmente quando atingem sua família.
O impacto político
Independentemente da explicação apresentada, o episódio já produz efeitos políticos. Em campanhas eleitorais, questionamentos envolvendo patrimônio costumam ganhar grande repercussão porque são facilmente compreendidos pelo eleitor e exigem respostas constantes dos candidatos.
No caso de Cadu Xavier, o debate torna-se ainda mais sensível pelo histórico de atuação à frente da Secretaria da Fazenda, justamente a pasta responsável pelo equilíbrio fiscal e pela arrecadação de impostos do Estado.
Até o momento, não existe decisão judicial, investigação pública ou qualquer prova que indique que a declaração de bens apresentada por Cadu Xavier contenha patrimônio oculto ou informações falsas. O desgaste decorre, sobretudo, da exploração política do tema por adversários e da necessidade de o candidato justificar publicamente sua situação patrimonial em meio à disputa pelo Governo do Estado.
